A tão esperada final de Wimbledon entre Roger Federer
e Andy Murray não vai acontecer. Se o suíço cumpriu seu papel na
primeira semifinal desta sexta-feira, na segunda o escocês de 22
anos foi "surpreendido" pelo eficiente Andy Roddick. Com atuação
impeçável, o norte-americano frustrou a expectativa da torcida ao
vencer jogo equilibrado, por 3 sets a 1, com parciais de 6/4, 4/6,
7/6 (9/7) e 7/6 (7/5).
Até longe dos holofotes, Roddick caminha para sua quinta final de
Grand Slam e vai enfrentar o maior carrasco do circuito: Federer o
derrotou em nada menos que 18 oportunidades das 20 em que estiveram
frente a frente. Duas delas, aliás, aconteceram em Wimbledon mesmo,
em 2004 e 2005, quando o suíço conquistou o bi e o
tricampeonato.
Se é de certa forma inesperada, a ida à final confirma o ótimo
momento do norte-americano. Desde que passou a ser treinado por
Larry Stefanki, ele mostrou grande evolução em seu jogo e foi
acumulando resultados expressivos como a semifinal no Aberto da
Austrália, título em Memphis e campanhas até satisfatórias no
saibro, como as quartas em Madri e as oitavas em Roland
Garros.
Em Wimbledon, teve caminho perigoso desde cedo, mas venceu Jeremy
Chardy na estreia em quatro sets. Ele voltou a perder parcial
contra Igor Kunitsyn, Jürgen Melzer e teve de lutar por quase
quatro horas contra Lleyton Hewitt nas quartas. A única partida em
que venceu por 3 a 0 veio nas oitavas, contra Tomas Berdych.
Na semi, impediu a sétima derrota e a quarta consecutiva contra
Murray ao mesclar ótimo serviço com agressividade e precisão na
rede. Assim, voltou a uma final de Grand Slam depois de 2006, no US
Open, e vai atrás da segunda taça, para repetir o US Open de 2003,
ano em que ainda terminou como número 1 do mundo.
Murray, por sua vez, não consegue quebrar a "maldição" britânica em
Wimbledon. Serão agora 74 anos sem títulos de representante locais,
sendo que Fred Perry foi o último a conseguir tal feito, em 1936. A
esperança em cima do número 3 era enorme e havia causado grande
furor na torcida e nos jornalistas, que terão mais uma vez de
esperar.
O
jogo - Menos intenso
que nas partidas anteriores, Murray viu logo de cara que
enfrentaria rival mais perigoso do que poderia imaginar. Sempre
partindo ao ataque e com o saque em dia (fez 21 aces, contra 25 do
britânico), Roddick se manteve bem no duelo e aproveitou com
perfeição as primeiras chances de quebra, exatamente no décimo
game, para fazer 6/4.
No segundo, Murray tentou ao máximo se empolgar, chamou a torcida,
mas teve de escapar de games perigosos no saque. No 4/3, porém,
conseguiu enfim a quebra e partiu para o empate. Com 1 a 1 no
placar, o duelo pegou fogo e seguiu com lindas jogadas de ambas a
partes.
Roddick salvou de cara um break-point com lindo voleio. No quarto,
o norte-americano abriu 15/40, perdeu chances, mas quebrou para
disparar em 3/1 e 4/1. Murray ainda sofreu no 5/2, mas respirou ao
abrir 0/40 e quebrar de volta em 5/4. A decisão foi então para o
tiebreak, que prometia ser decisivo.
Com boas devoluções mesmo no backhand, prova de sua evolução com
Stefanki, Roddick abriu 4/2, mas viu o britânico chegar ao
set-point em 6/5. Com frieza, ele empatou, fez 7/6 e conseguiu o
mini-break em seguida, para abrir 2 sets a 1.
Mesmo atrás, Murray tentou não desanimar. Com a torcida ainda
acreditando, chegou ao break-point no 4/3, quando Roddick voleou
bola que parecia ir para fora. O norte-americano, no entanto, se
recuperou, salvou o game que poderia decretar a perda do set e
levou a disputa de novo para o tiebreak. Com fome de bola, o
ex-número 1 saiu na frente, abriu 4/2 e chegou ao duplo
match-point. Com passada, o escocês salvou o primeiro, mas não
evitou a derrota na sequência, após outro ataque bem feito de
Roddick.











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